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Rastros Sobrepostos | Rastros Invisíveis | Caminhos Invisíveis - com Dânova Neres

  • syltriginelli6
  • 16 de mai.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 22 de mai.


Rastros Sobrepostos | Academia Mineira de Letras


Rastros Sobrepostos é uma performance na qual o artista Dânova Neres (@danovaneres_artes) imprime sua cadeira de rodas sobre um papel que delimita seus movimentos. Ao Syl Triginelli entintar a superfície dos pneus e Dânova passear sobre o papel, a obra estabelece um paralelo com as limitações cotidianas enfrentadas pelo artista como pessoa com deficiência (PcD).


O cotidiano de pessoas com deficiência é marcado por obstáculos, sejam eles invisíveis ou decorrentes da falta de acessibilidade urbana. Ao usar a cadeira de rodas como matriz, entintando-a e pressionando-a contra o papel, a performance reivindica o protagonismo de artistas diversos. A ação propõe uma reflexão sobre os vestígios de nossa presença nos espaços por onde passamos, criando uma cartografia que revela onde, como e o que conseguimos acessar. Esse paralelo é construído através da repetição e da sobreposição dos movimentos.


Registros da 10a Semanária de Artes Gráficas, que aconteceu na Academia Mineira de Letras.
Registros da 10a Semanária de Artes Gráficas, que aconteceu na Academia Mineira de Letras.


Rastros Invisíveis | Festival Faísca de Publicações Experimentais (10 anos)


A noite de abertura da Faísca apresenta Rastros Invisíveis, performance por Dânova Neres e Syl Triginelli, um desdobramento de Rastros Sobrepostos.


Os artistas transformam a cadeira de rodas em matriz, para que os pneus entintados imprimissem percursos em páginas. O uso de tintas preta e azul sobre papéis pretos foi um convite à observação cuidadosa da sutileza dos registros no suporte. A visualidade foi ressaltada justamente nos momentos em que, na composição da tela-chão, os rastros ultrapassaram demarcações.


Reivindicando protagonismo de criadores diversos, a obra é realizada por duas pessoas com deficiência – uma visível, outra não visível. O gesto de entintar os pneus pela artista com hiperfoco se alterna com o desenho das camadas pelo artista com a cadeira de rodas. Os limites dos papéis constroem um paralelo com barreiras impostas pela sociedade. O resultado é marcante: narrativa visual e, ao mesmo tempo, caminho para reflexão.


Dânova Neres (Betim - MG) é artista visual, graduando em Artes Visuais pela EBA/UFMG, habilitando-se em Artes Gráficas e Desenho. Sua produção permeia assuntos que o atravessam enquanto artista negro, periférico e pessoa com deficiência.


Artista e arte-educadora não-binária, Syl Triginelli é graduada de Artes Visuais na EBA-UFMG, com estudos em gravura, desenho e artes gráficas. Seu trabalho permeia experiências da neurodivergência.


A performance Rastros Invisíveis aconteceu na abertura do Festival, na sexta-feira dia 15 de maio, às 19h.



Caminhos Invisíveis | exposição Biblioteca Invisível


As Artes Visuais, como o próprio nome indica, abarcam experiências sensoriais que partem do olhar. Quais seriam as possibilidades de se pensar em livros que não foram desenvolvidos para serem vistos?


Quem chega na Biblioteca Invisível encontra livros sem tinta. Mas livros em branco estão vazios? Publicações sem tinta não têm narrativas? E estas últimas, precisam ser construídas a partir de elementos figurativos? Com essas inquietações, surge a exposição, ideia materializada na edição mais recente da Faísca, que, na nossa comemoração em 2026, se amplia.


Para refletir sobre outros livros e leituras, o ponto central são elementos táteis dessas obras. O objetivo é proporcionar fruição para públicos diversos, destacando aspectos de livros sem tinta que são apreciáveis por meio do toque – seja a partir do uso de materiais, texturas, relevos, costuras e outros componentes palpáveis – na criação das peças que compõem a exposição. Ampliando "tocar" para o sentido de reprodução sonora, outro módulo tem publicações experimentais formadas por livros em branco em integração com outro tipo de visualidade: a paisagem sonora.


Além da exposição, que dura ao longo de todo o evento, ela também se desdobra em uma estreia: A primeira Feira do Livro Sem Tinta, programação exclusiva do domingo no evento.


Na própria data, você acompanha também uma conversa sobre processos criativos de artistas integrantes da exposição.


À convite da Faísca, Dânova Neres e Syl Triginelli desenvolveram Caminhos Invisíveis. Outro desdobramento da performance Rastros Sobrepostos, oé um livro de artista em formato sanfonado, impresso em verniz serigráfico sobre papel AP 180g e com aplicações manuais de cola branca. Possui capa dura revestida em vinil adesivo branco. A obra integra a Biblioteca Invisível, uma exposição de livros experimentais que partem do sensorial para complementar a programação do Festival Faísca de Publicações Experimentais, em sua edição comemorativa de 10 anos.


O livro propõe um diálogo entre duas deficiências — uma visível e outra não visível —, instigando o leitor a sentir (ou não) a textura do rastro deixado por uma cadeira de rodas. A beleza da mancha gráfica quase imperceptível presente na obra constrói um paralelo com as trajetórias das pessoas com deficiência, frequentemente invisibilizadas em contextos sociais diversos.


 
 
 

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