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Explorando a Obra "Rastros" no núcleo "Tem de Tudo Nesta Rua" em "Asa de Papel" no CCBB BH

syltriginelli6
3 de jul.
4 min de leitura

Atualizado: 10 de jul.



Entre os dias 1º de julho e 12 de outubro, o CCBB BH recebe a exposição inédita “Asa de Papel – Marcelo Xavier”, que convida o público a mergulhar no universo do multiartista mineiro por meio de instalações imersivas, obras originais, experiências sensoriais e recursos de acessibilidade concebidos como parte da criação artística.


Com curadoria de Marconi Drummond, a mostra apresenta um amplo mergulho na trajetória de Marcelo Xavier, um dos principais nomes da literatura infantojuvenil, da arte-educação e da cultura visual brasileira contemporânea, reunindo mais de quatro décadas de produção artística, em uma experiência que transforma o ato de ler em uma vivência coletiva e sensorial.


Concebida como uma experiência imersiva, a mostra conduz os visitantes por diferentes ambientes inspirados em obras marcantes de carreira do artista. Logo na chegada, personagens criados por Marcelo recepcionam o público e anunciam o tom lúdico da visita. Em seguida, os visitantes atravessam a instalação “Asa da Palavra”, um túnel formado por superfícies espelhadas, letras suspensas e paisagens sonoras que introduzem o universo do artista. A partir daí, o percurso se desdobra em diferentes ambientes inspirados em livros marcantes de sua trajetória, combinando instalações, videografias, objetos, desenhos, esculturas, sons e experiências interativas.


Entre os destaques está o núcleo dedicado a “Asa de Papel”, obra considerada uma das mais emblemáticas de sua carreira. O espaço reúne projeções, ambientes multissensoriais e o chamado Gabinete MX, uma espécie de museu afetivo do artista, composto por fotografias, desenhos, objetos pessoais, sons e memórias. Gavetas podem ser abertas pelo público, revelando histórias, referências e processos criativos que ajudam a compreender a construção de uma das obras mais originais da cultura brasileira contemporânea.


A mostra também apresenta ambientes inspirados em livros como “Mitos”, “Festas”, “Tem de Tudo Nesta Rua”, “Truques Coloridos”, “O Dia a Dia de Dadá” e “Se Criança Governasse o Mundo”. Em cada núcleo, temas recorrentes da produção de Marcelo Xavier ganham novas camadas de interpretação: a infância como território de invenção, a valorização da cultura popular, a convivência com as diferenças, a ocupação afetiva da cidade, a imaginação como ferramenta de transformação social e a defesa de um mundo mais inclusivo.


Sobre a obra e os artistas


Dânova Neres é artista visual, graduando em Artes Visuais pela Escola de Belas Artes da UFMG, com habilitação em Artes Gráficas e Desenho. Sua produção permeia assuntos que o atravessam enquanto artista negro, periférico e pessoa com deficiência.

Syl Triginelli é artista visual e arte-educadore não-binárie, graduada em Artes Visuais pela Escola de Belas Artes da UFMG, com estudos em gravura, desenho e artes gráficas. Sua prática artística é atravessada por experiências ligadas à neurodivergência, explorando modos plurais de percepção, comunicação e criação.

Convidados pela curadoria da exposição, ambos apresentam a obra “Rastros”, uma proposição artística que transforma a cadeira de rodas em instrumento de criação, reflexão e visibilidade. A partir de uma ação colaborativa, os artistas produzem registros gráficos que tomam o deslocamento pelo espaço urbano como matéria poética, evidenciando experiências frequentemente marcadas por obstáculos, desvios e ausências de acessibilidade.


Fotografia de Dânova Neres na abertura da exposição, tirada por Syl Triginelli.
Fotografia de Dânova Neres na abertura da exposição, tirada por Syl Triginelli.

Na obra, a cadeira de rodas é utilizada como matriz para a produção de monotipias. Seus percursos deixam marcas sobre o papel, convertendo movimentos em vestígios visuais e transformando trajetórias cotidianas em narrativas gráficas. As impressões resultantes revelam camadas de deslocamento, encontros, interrupções e caminhos possíveis, propondo uma reflexão sobre como os corpos ocupam e experienciam a cidade. A instalação é complementada por dioramas e outros elementos expositivos que ampliam a experiência visual, configurando uma paisagem de vestígios, deslocamentos e memórias.


Rastros é a prova da colaboração em ateliê. Syl Triginelli e Dânova Neres são artistas visuais e foram colegas na EBA-UFMG durante muitos anos, compartilhando experiências e inquietações — principalmente como pessoas com deficiência (um com deficiência visível e a outra, não visível). Partindo da gravura no campo ampliado, as monotipias em grande escala apresentam a possibilidade de se ampliar o modo de pensar a própria gravura: a partir da memória e do rastro humano como dispositivo político e social.


Os artistas transformam a cadeira de rodas em matriz, para que os pneus entintados imprimam percursos em páginas. O gesto de entintar os pneus pela artista com hiperfoco se alterna com o desenho das camadas pelo artista com a cadeira de rodas. Os limites dos papéis constroem um paralelo com barreiras impostas pela sociedade.

A convite de Marconi Drummond, curador da exposição, a dupla de artistas compõe o quarto núcleo da exposição “Asa de Papel”, no CCBB BH, com a obra “Rastros”: um painel de lambes de 3,50 x 5,50 m feito para dialogar diretamente com o famoso bloco do carnaval de Belo Horizonte “Todo Mundo Cabe no Mundo”, criado pelo artista plástico Marcelo Xavier, que desfila anualmente pelas ruas da cidade. Dessa forma, Rastros evoca as ruas e “reafirma a cidade como lugar de circulação e pertencimento”.


Agradecimentos especiais aos fotógrafos, artistas, coladores de lambe e amantes do underground Yan Rodrigues (@Yor.cf), Gabriel Franklin e Sylvio Coutinho ( https://sylviocoutinho.com.br ).


SERVIÇO


Data: 01/07 à 12/10/2026

Local: Centro Cultural Banco Do Brasil-CCBB Belo Horizonte - Galerias do Térreo.

Endereço: Praça da Liberdade, 450 - Funcionários, Belo Horizonte - MG

Horário: Quarta a segunda,das 10h às 22h.

Classificação: Livre




 
 
 

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